sábado, 27 de março de 2010
Terço: oração poderosa

Maria, a Imaculada, quer salvar seus filhos do rio de lama; e a corda que ela usa para isso é o Terço. Em cada oração do Terço, estamos proclamando aquela que é “cheia de graça”, com quem o Senhor esteve desde o começo; aquela que nos trouxe o Salvador Jesus em Sua primeira vinda e vai nos trazê-Lo na segunda. E o inimigo de Deus não gosta disso. A cada Ave-Maria que rezamos é uma condenação para ele; a cada oração dizemos que a serpente vai ser esmagada pelo calcanhar de Maria, ou seja, que ele será esmagado.
Um dia, assim como O trouxe da primeira vez, a Santíssima Virgem Maria trará Jesus em Sua segunda vinda, para Ele implantar o Reino de Deus entre nós, de maneira definitiva, e nesse dia nossos irmãos que não a aceitam irão reconhecê-la e respeitá-la.
O Senhor, nos últimos tempos, dá-nos uma grande “arma”: sua própria mãe, Maria. Todos nós amolecemos o coração diante do amor de mãe. Ela está vindo para esmagar a cabeça da serpente, tocar o coração endurecido de seus filhos, cortar as amarras que prendem as mãos e os pés de seus filhos ao fundo da lama.
Una-se a Maria e reze, principalmente, o Terço, que, ao contrário do que às vezes se pensa, não é uma oração ingênua, mas de poder. É uma aliança feita entre você e aquela que nos trouxe a salvação, Jesus.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Sete dicas para que minha família seja de Deus

Nós podemos dizer todos juntos: “Eu quero que a minha família seja de Deus”. Nós estamos aqui para partilhar coisas muito práticas, que exigem esforços, mas que ao mesmo tempo fazemos com prazer, pois devemos fazer qualquer esforço por nossas famílias, já que as amamos. Primeiramente você deve ter disposição e amor para lutar pela sua família e mesmo se sentindo só, não se entristeça, pois Jesus também se sentiu só, mas hoje Ele renova nossas forças para darmos a vida, se necessário, por nossas famílias.
Você precisa ter a abertura de coração e dizer: "Eu quero, eu quero!". Não esperar que o outro mude, mas que comece a mudança a partir de você. E é nesta abertura que nós queremos partilhar. Algumas dicas práticas para sua vida em família.
A primeira dica é: "Perdoe". Para que sua família seja de Deus, perdoe. O perdão é o acerto de conta do cristão, como disse ontem na Santa Missa o padre Paulo Ricardo. Perdoe sempre, até quando você tem razão, a gente perdoa porque somos de Deus, perdoamos para ganhar o filho, nosso perdão passa pela razão, pelos sentimentos você não perdoa ninguém. Então decida-se em perdoar. Ponha um ponto final na história das mágoas e perdoe.
É preciso perdoar sempre e perdoar tudo, aquelas pequenas coisas do dia a dia, sabe aquelas coisas que falamos para o filho várias vezes, mas ele não muda, você não pode deixar de falar, você precisa amar, educar, mas é necessário também exercitar o perdão. Ontem eu (Eliana), estava fazendo uma caminhada e fui falando a Jesus que eu era fraca, pecadora e precisava perdoar uma pessoa e comecei a dizer o nome da pessoa e no final daquela caminhada eu fui tomada por uma paz que tive até vontade de cantar, e olha que eu não sou cantora, mas pelo perdão Deus me refez, foi um banho de perdão.
Eu quero recomendar que você, não perca tempo na sua vida, porque sem o perdão nós não temos força para nada, a pessoa que não perdoa se torna amarga, azeda, mesmo você tendo a razão, se não perdoar, não vai dar certo.
A segunda dica é: “Declare o seu amor!”. Diga às pessoas da sua casa “Eu te amo”, ao invés de dizer: “Eu te mato”, “Eu te pego”, como muitas vezes temos vontade de fazer. A família precisa ser um ninho de amor.
Quanto mais tempo gastamos declarando o amor que temos menos tempo teremos em casa para a murmuração, para palavras negativas, para reclamações, saiba que cada vez que você declara o amor em sua casa as coisas se transformam pela força deste amor. Vamos expulsar o mal de nossas casas pelo amor, dizendo “Eu te amo meu amor!”.
Lá em casa nós aprendemos dizer muito "eu te amo" e hoje encontrei uma carta que escrevi para Eliana em 28 de março de 1989. Naquela época nós estávamos namorando, ela aqui e eu estava estudando comunicação em Roma e só nos falávamos uma vez por mês. E eu dizia na carta a ela que ela era importante para mim e que eu a amava, fiz uma rosa de papel para ela e enviei. Graças a Deus nós descobrimos que é muito importante dizermos um para o outro que nos amamos.
Declare o seu amor e que amor é este que declaramos? É por que a vida é um mar de rosas, é por que está tudo bem? Não, é porque amamos de fato, é um amor por decisão, hoje eu desejo fazer a Eliana feliz e sou louco por ela, mas nem sempre é assim, tem dias que fico bravo com ela, mas me decido amar.
A terceira dica é: “Ame seus defeitos”. Como Deus nos ama? Parece que quanto mais pecador, mais Deus nos ama. É esse o jeito de Deus nos amar, quanto mais sou falho e tenho minhas imperfeições e quando damos essa dica, ame seus defeitos, é para que a pessoa ame o outro do jeito que ela é, pois assim se tornará melhor. Não adianta o Ricardo me amar como não sou! O Ricardo tem aprendido a me amar.
Muitas vezes nossa oração é: “Vem Senhor com teu fogo e queime estes defeitos”, mas a oração deve ser “Senhor que cada vez eu ame mais”. Sua mulher tem defeito? Seu marido tem defeito?
Família que se alimenta diante de uma televisão ligada, tem diálogo? Tem partilha? Não tem! Você precisa ser presença, ter tempo para estar com sua família.
Isso que falamos para a família é algo que também lutamos para viver em comunidade, passamos na casa dos nossos irmãos de comunidade para dizer um “oi”, para dizer “estou aqui”, isso muda tudo, parece ser tão simples né? Mas as vezes se torna complicado, pois o demônio gosta de complicar.

Dica número seis: “Mostre quem Deus é”. Nunca mande ninguém de sua família ir para Deus, pois nem sempre dá certo. Pare de mandar seus maridos irem para Deus, diga a eles mulheres: “vem para Deus”. Quando eu estava com câncer o que muito me ajudou é que mesmo com o fato de todo sofrimento pelo qual eu passava, eu não fazia os outros sofrerem porque eu estava sofrendo. Na enfermidade eu percebia que tudo aquilo só podia ser para a glória de Deus, pois tudo o que se passava era para glorificação de Deus e eu preciso mostrar com minha vida que Deus é amor, Deus é perdão. Seus filhos não vão encontrar Deus na Igreja se não encontrarem Deus na sua casa!
Dica número sete: “Tenha e creia na misericórdia de Deus”. Eliana não é a mesma mulher do passado, ela, como todas as mulheres, está em transformação contínua, então eu preciso ter misericórdia. Deus tem caminhos para mim e para minha família que eu não conheço, Ele tem jeito e maneiras de solucionar os problemas da nossa casa que não é do nosso jeito. Então nós precisamos crer que a misericórdia de Deus vai solucionar, preciso abrir o coração para aquilo que é a misericórdia de Deus, para que traga solução para aquilo que aparentemente para nós não tem solução.
Você pôs em sua cabeça que tem que acontecer do seu jeito aquela coisa para que sua família se converta, mas quem foi que disse que deve ser do seu jeito, Deus tem os seus próprios caminhos. Não se prenda aquilo que você acha que tem que acontecer para a conversão de sua família, é preciso dar espaço para que a misericórdia de Deus aconteça.
Transcrição e adaptação: Flávio Pinheiro
Divulgação: Dives in Misericordie
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Corrigir com amor

Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral? É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em Seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.
Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe: "Você errou!", dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se esta for feita inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso a deixa humilhada, ofendida e, muitas vezes, com ódio de quem a corrigiu.
E, lamentavelmente, isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (“pavio curto”) e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque, às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.
Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigi-los, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até do (a) namorado (a). Isso o (a) humilha e o (a) faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse (a) filho (a), depois, vai ouvir os conselhos desses pais? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano!
1 – Nunca corrigir na frente dos outros. Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.
Gostaria de lembrar que a Igreja, como boa Mãe, garante a nós o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a instituição criada por Cristo pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós? Como fazemos com os outros? Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará mais bem preparada para a correção a receber, sem odiá-lo.
2 – Escolha o momento certo. Não se pode chamar a atenção de alguém no momento em que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nestes momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou e provocam no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar.
3 – Use palavras corretas. Às vezes, um "sim" dito de maneira errada é pior do que um "não" dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e por que fez aquilo errado. É comum que o pai, o patrão, o amigo, o colega, precipitados, cometam um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.
Eu era professor em uma Faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada, apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pôde se explicar: “Professor, é que eu uso um olho de vidro, e no dia da sua prova o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazer a prova”. Fiquei com “cara de tacho” e lhe pedi mil desculpas.
Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando eu e meus oito irmãos éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar escondidos dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo do quintal; lá a gente se reunia para fumar.
Um dia nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero... Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinquenta anos, a bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada. Em seguida, mostrou a cada um de nós a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: “Vocês sabem o que é isso, amarelo? É veneno; é nicotina; isso vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde. É isso que vocês querem?”
Em seguida ele não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fazê-lo para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém e não xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que “o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado”.
E se você magoou alguém, corrigindo-o grosseiramente, peça perdão logo; é um dever de consciência.
Fonte: http://www.cancaonova.com.br
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe
Site do autor: www.cleofas.com.br
Divulgação: Dives in Misericordie